Performando: Arte, Teatro, Dança, Literatura


As pesquisas dizem respeito à investigação da performance e de sua contaminação com outras artes, como a fotografia ou o vídeo, pensados não somente como registros,mas como diálogos artísticos gerados a partir da linguagem performática. Investigam também a performance em sua relação com a cena teatral, de dança e literária contemporânea, bem como a inserção da linguagem performática em diversos contextos urbanos através de intervenções urbanas e site específicos, dialogando com a arquitetura da cidade. São investigados também os métodos de preparo e de treinamento para o performer, bem como a questão do ativismo político e poético dentro do espaço urbano e as formas possíveis de estética relacional.


Corpo-som-imagem

Processos Criativos em Arte, Ciência e Tecnologia – corpo-som-imagem em performances multiculturais
Denise Telles-Hofstra

O projeto tem como objetivo investigar as conexões entre Corpo, Som e nas Performances Multiculturais e Multidisciplinares, – focando nas relações entre as pesquisas artísticas, científicas e tecnológicas de diversas culturas, fomentando a criação de práticas interconectas. Como referenciais metodológicos investigamos os conceitos de rede complexa e circularidade, presentes nos germinais imagéticos da cultura indígenaa, a Teoria da Complexidade concebida por Edgar Morin e o conceito de antropologia Teatral proposto por Eugenio Barba. Em busca de tais objetivos propomos a criação de um espaço multimídia transdisciplinar, concebido como o TEATRO-OCA, um espaço de convívio e criação aberto ao intercâmbio – presencial e virtual – de performances de povos e culturas plurais.

Grupo do Nepaa

Em 1998, a pesquisa do diretor Zeca Ligiéro sobre performance ameríndia, especificamente sobre os mitos indígenas Kamaiurá e Kuikura, resulta na direção e montagem do espetáculo Toré do Sol e da Lua. Com coreografias de Denise Zenícola, preparação corporal de Eloísa Brantes e música de Chico Rota, Toré percutiu possibilidades teóricas e práticas que viriam a definir a trajetória política (e estética) que o Grupo NEPAA dialogaria dali em diante.

Em 2004, a adaptação e direção de Zeca Ligiéro desvenda ao público a riquíssima obra de Antônio Fraga, num espetáculo fiel à performance literária do autor: “todo escrito em gíria e sem nenhuma pontuação para arreliar um bando de gente”. Com músicas do mestre Nelson Sargento, iluminação de Aurélio Di Simoni e coreografias de Denise Zenícola, o samba, a capoeira, e a malandragem carioca ganharam a vez no espetáculo Desabrigo. A partir daí se estabelece um diálogo permanente com a performance afro-brasileira, que vai se sofisticando no espetáculo Circo-Teatro Benjamin (2006), Palhaço Negro: a história de Benjamin de Oliveira (2008).

Zeca Ligiéro, Juliana Manhães e Michele Carmpos de Miranda se reúnem e criam a performance La história que yo sabia (2009), com asssitencia de Aressa Rios apresentando-se no FESTICARIBE, na Colômbia reunindo a pesquisa de cada um sobre lendas do Maranhão, Pará e do Xingu.

A partir de 2010 o grupo NEPAA tem se dedicado à pesquisa dos mitos relacionados a Macunaíma, encontrados pelo etnográfro alemão Koch-Grunewald entre 1811 e 1813.

Retroalimentando-se, o Grupo NEPAA surge da pesquisa sobre as práticas performativas afro-ameríndias em sua relação com a cena teatral contemporânea. Indistintamente, o Grupo e o Núcleo resultam um do outro.

Heróis do Cotidiano

O Coletivo Heróis de Cotidiano, em atividade há mais de dois anos nas ruas do Rio de Janeiro, realiza uma pesquisa acerca do Herói na Contemporaneidade.

Vestidos de super-heróis, os membros do Coletivo realizam intervenções urbanas que fundem teatro, artes plásticas, dança e ativismo político.

As performances valorizam o elemento relacional na arte, que considera como foco da obra de arte a transformação da relação entre performers e participantes, entre participantes e espaço urbano  (entre outros), bem como o estabelecimento de paisagens mentais coletivas que se surgem no contexto de projetos de economia solidária, sustentabilidade ou ecologia, tentando trilhar caminhos paralelos não-hegemônicos dentro do fazer artístico contemporâneo.

O trabalho do Coletivo é parte integrante de um projeto de pesquisa desenvolvido na Escola de Teatro da UNIRIO por Tania Alice em parceria com Gilson Motta, professor de Dramaturgia e Encenação e Formas Animadas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), juntamente com dois ex-alunos (Jarbas Albuquerque e Ricardo Telles) e dois alunos da UNIRIO (Marcelo Asth e Larissa Siqueira, contando com a participação de vários alunos de iniciação artística.

O Coletivo recebeu em 2009 o Prêmio da Funarte “Artes Cênicas nas Ruas” e participou de vários eventos  e mostras de arte contemporânea nacionais e internacionais. No dia a dia, o Coletivo realiza intervenções nos mais diversos lugares do Rio de Janeiro, gerando poesia e micro-utopias dentro de espaços urbanos funcionalizados, as performances conduzem a uma forma alternativa de perceber e vivenciar os dispositivos sociais cotidianos.

MUANES Dança e Teatro

O grupo Muanes Dança Teatro  fundado em 2006, é Dirigido por Denise Mancebo Zenicola e tem como objetivo a abertura de espaço de criação e discussão da performance e estética afro-brasileira entre pesquisadores, estudantes e artistas. Formada por atores, bailarinos, músicos e capoeiristas, o grupo aposta na multilinguagem como forma de conceber a arte, tendo como base a estética da cena em interface com a cultura afro brasileira; tradição de origem africana, presente hoje e importante legado para nossos descendentes.  

O grupo articula e relaciona processos de criação da Dramaturgia da Dança, especialmente, no contexto contemporâneo de prática e discussão da performance, em contexto histórico e cultural. Implica nesse recorte identificar, as mediações e impactos sociais, políticos, cognitivos e tecnológicos na organização da vida cotidiana destas performances. Nessa perspectiva, investigam-se as relações entre temporalidades, espacialidades, hibridismos, corporalidades, visualidades e intersubjetividades – temáticas consideradas nos níveis regional, e/ou mundial. Ao mesmo tempo contemporânea e ancestral propomos o cantar, dançar, batucar e dramatizar presentes como expressões daquilo que fomos e que somos.  

Montagens: Rio de Muane, Ubu Ações e IYÁ-MI-ÁGBÁ.
Elenco: Cátia Costa, Débora Campos, Pedro Mota, Viviane Santos.
Participação Especial: Wilson Rabelo e Mestre Casquinha (capoeira).

Performer Radical

Performer radical: fabulação, presença e mito
José de Ipanema

O ator e pesquisador José de Ipanema visa analisar em sua dissertação de mestrado – O PERFORMER RADICAL: FABULAÇÃO, PRESENÇA E MITO – o trabalho de ator na poética Teatro Radical Brasileiro (TRB) sob a ótica de conceitos decorrentes da interpretação das obras dos autores Darcy Ribeiro (pan-brasilidade), Bertolt Brecht (dialética), Eugênio Barba (transculturalidade), Jerzy Grotowski (via negativa e desvendamento), Fritjof Capra (opostos complementares) e Richard Schechner (performance).

A pesquisa avaliará a metodologia do TRB com base nos estudos do teórico Ricardo Guilherme, desenvolvidos na Associação de Teatro Radicais Livres e em outros grupos de pesquisa, contextualizando a capacidade de fabulação do ator radical e sua presença cênica. Trata-se de uma poética-estética que busca as matrizes energéticas, teóricas e físicas do performer, encaradas como elementos fundantes da encenação.